Um estudo brasileiro publicado na Revista Bioética mostra que 90% dos médicos recém-formados não se sentem capacitados para comunicar más notícias e consideram insuficiente o treinamento recebido durante a graduação. A pesquisa, conduzida por Daniel Alveno, fisioterapeuta do Hospital São Paulo/Unifesp, ouviu 2.418 profissionais que aguardavam a prova de residência médica da instituição entre 2016 e 2022.
Preparação insuficiente para cenários complexos
O questionário avaliou a percepção dos médicos sobre o uso de protocolos como Spikes e identificou lacunas importantes na formação humanística. Daniel Alveno destaca que, sem treino específico, aumenta o risco de falhas na comunicação com pacientes que enfrentam doenças ameaçadoras da vida.
Se é exigida essa habilidade quando ele vai trabalhar e atender esses pacientes com perfil de doença grave, ameaçadora da vida, mas ele nunca recebeu treinamento para isso, a chance de errar nessa comunicação é muito grande
Daniel Alveno
Impacto na relação com pacientes e famílias
A comunicação clara permite que pacientes entendam diagnósticos, prognósticos e opções terapêuticas, além de planejar questões de funcionalidade e cognição. O estudo reforça a necessidade de incluir habilidades de comunicação de forma obrigatória nos currículos médicos brasileiros, uma demanda antiga da educação na área.
Há muitos anos a gente vem lutando na educação médica brasileira para investir na formação humanística do médico, que inclui essa questão da comunicação de más notícias e da comunicação de um modo em geral
Daniel Alveno
