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Governo de Goiás pagou R$ 209 milhões a empresas ligadas ao PCC via Imed

O governo de Goiás pagou R$ 209 milhões a empresas controladas por Thiago Telles Batista de Souza, apontado como beneficiário final de um esquema de lavagem de dinheiro vinculado ao PCC, enquanto essas companhias atuavam como fornecedoras do Instituto de Medicina e Estudos (Imed) na gestão de oito hospitais estaduais entre 2020 e 2025. As investigações da Polícia Civil de São Paulo, iniciadas com a Operação Falso Mercúrio em dezembro de 2024, revelam que o Imed recebeu R$ 1,4 bilhão do estado nesse período e terceirizou serviços sem controles adequados, permitindo a circulação de valores em espécie para escapar da fiscalização do Banco Central e do Coaf. O caso expõe graves falhas na administração pública e levanta dúvidas sobre a segurança das contratações realizadas por organizações sociais.

Contratações sem fiscalização ampliam riscos institucionais

Thiago Telles é descrito nas apurações como o destinatário final de recursos provenientes de tráfico de drogas, jogos ilegais e golpes contra consumidores, com intermediários movimentando valores em espécie para alimentar o esquema. A Polícia Civil de São Paulo destaca que a presença de empresas sob forte suspeita de crimes no rol de contratadas pelo poder público representa grave risco institucional, especialmente em áreas sensíveis como a saúde pública. Ronaldo Caiado, ex-governador, defendeu a parceria ao afirmar que a administração do Imed veio com o objetivo de mostrar que podíamos fazer bem e atender à população, mas as revelações atuais contrastam com essa narrativa ao evidenciar a falta de transparência.

Respostas oficiais não esclarecem origens dos recursos

A Secretaria de Saúde de Goiás alegou que a contratação de fornecedores pelas organizações sociais é de responsabilidade exclusiva da entidade gestora, não dependendo de autorização prévia da secretaria, o que reforça a ausência de mecanismos de controle efetivo. O Imed, por sua vez, limitou-se a informar que a relação com empresas fornecedoras de serviços médico-hospitalares sempre ocorreu estritamente no âmbito profissional, sem detalhar os critérios de seleção nem as movimentações financeiras atípicas apontadas pela investigação. Esses posicionamentos evidenciam uma transferência de responsabilidade que compromete a accountability no uso de recursos públicos.

Desdobramentos recentes reforçam necessidade de auditoria

Os novos elementos divulgados em 28 de maio de 2026 pela Polícia Civil de São Paulo aprofundam as suspeitas sobre a cadeia de fornecedores e a origem dos R$ 209 milhões repassados, destacando a urgência de auditorias independentes para evitar que esquemas criminosos se beneficiem de contratos estatais. O episódio em Goiás ilustra como a terceirização de serviços essenciais por meio de organizações sociais pode facilitar desvios quando a fiscalização estatal é insuficiente, expondo a população a riscos operacionais e financeiros. A continuidade das investigações deverá esclarecer o alcance exato das ligações entre as empresas de Thiago Telles e o sistema de saúde estadual.

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