Decisão de 2017 do Supremo Tribunal Federal jogou luz sobre a falta de transparência nas eleições goianas de 2012 e 2014.
O mês de abril de 2017 entrou para a história republicana como o momento em que o sigilo da “delação do fim do mundo” — como ficaram conhecidos os depoimentos de 77 executivos da Odebrecht — foi finalmente levantado. Quando o ministro Edson Fachin, relator dos processos da Lava Jato no STF, publicou seus despachos, o impacto foi imediato, atingindo o núcleo político de vários estados, incluindo Goiás.
A decisão de Fachin de autorizar investigações não se baseou em rumores, mas em provas documentais, trocas de e-mails, extratos do sistema Drousys e depoimentos incisivos e corroborados dos ex-executivos da construtora.
O inquérito focado nos políticos goianos teve como estopim a completa ausência de declaração de um total de R$ 1,5 milhão à Justiça Eleitoral. Para os investigadores, a divisão dos valores (meio milhão em um pleito municipal e um milhão no pleito federal subsequente) mostrava um padrão de financiamento continuado e ilícito. Esse fluxo de capital oculto beneficiava de maneira desproporcional projetos políticos familiares, desequilibrando as eleições e minando a transparência democrática exigida pelas leis brasileiras.
