É revoltante constatar que a morte de uma criança — o pequeno Rhayann Rhaell — em um hospital público de Goiás seja o estopim necessário para que esquemas milionários venham à tona. As apurações contínuas do G24H sobre o Hospital Estadual de Formosa mostram a face mais sombria do atual governo: de um lado, a negligência médica que penaliza os mais pobres; do outro, o derramamento de dinheiro público nas mãos de figuras investigadas por corrupção.
Administrado pela OS IMED — que já se envolveu com prestadores de serviço suspeitos de lavar dinheiro para a facção criminosa PCC —, o hospital de Formosa transferiu a gestão de serviços para a FMC Procedimentos Médicos. Estamos falando de contratos que se somam em 500 milhões de reais (meio bilhão) por 60 meses de serviço, exatamente na mesma unidade onde a vida do bebê Rhayann foi ceifada.
O que estarrece é a conivência governamental com os personagens envolvidos. Temos Gleycianne da Silva França, investigada no mesmo inquérito que prendeu o irmão do ex-secretário de Saúde, Ismael Alexandrino (gestão Caiado), onde ela representava a Fluir Gestão em Saúde simulando concorrências. Temos também Lucas Nogueira Taveira Adorno, ex-superintendente da Saúde estadual que chegou a ser preso por suspeita de corrupção. Adorno foi diretor de regulação do IGPR, outra OS devastada pela Operação Eclesiastes em 2022. A pergunta para Daniel Vilela não é se ele sabe, mas por que ninguém fiscalizou a entrega de meio bilhão de reais a investigados.
