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Unicef revela fatores sociais por trás do consumo de ultraprocessados por crianças em Belém, Recife e Rio

© Agência Brasil
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Uma pesquisa divulgada pelo Unicef em 31 de março de 2026 revela os fatores sociais que impulsionam o consumo de alimentos ultraprocessados por crianças em comunidades urbanas de Belém, Recife e Rio de Janeiro. O estudo, realizado em Guamá (Belém, PA), Ibura (Recife, PE) e Pavuna (Rio de Janeiro, RJ), entrevistou cerca de 600 famílias e identificou a presença desses alimentos em lanches e cafés da manhã, apesar da preocupação das famílias com uma alimentação saudável. Stephanie Amaral, oficial de Saúde e Nutrição do Unicef, destaca como questões como sobrecarga materna e aspectos afetivos contribuem para esse cenário.

Fatores sociais e econômicos

A pesquisa aponta que o consumo de ultraprocessados é impulsionado por fatores como o preço baixo percebido, o desconhecimento sobre sua composição e a rotulagem frontal ineficaz. Mães sobrecarregadas, muitas vezes responsáveis sozinhas pela família e trabalhando fora, optam pela praticidade desses produtos. Além disso, há um componente afetivo, onde esses alimentos são associados a uma infância feliz, especialmente por pais que não tiveram acesso a eles na própria infância.

Muitas mães fazem isso sozinhas, além de trabalhar fora. É uma sobrecarga que acaba fazendo com que a praticidade dos alimentos ultraprocessados pese muito mais.

Stephanie Amaral explica que as famílias veem nesses itens uma forma de proporcionar alegria às crianças, com embalagens atrativas contendo desenhos e personagens.

Importância da alimentação escolar

As famílias demonstram grande confiança na alimentação oferecida pelas escolas, o que reforça o papel das instituições educacionais na promoção de hábitos saudáveis. O estudo do Unicef enfatiza como as escolas não só fornecem refeições nutritivas, mas também educam as famílias sobre opções alimentares melhores. Isso contrasta com o consumo em casa, onde ultraprocessados prevalecem em momentos como lanches e cafés da manhã.

As famílias mostram uma confiança muito grande na alimentação escolar, o que mostra como as escolas são importantes em oferecer o alimento saudável, mas também em promover essa alimentação para as famílias.

Impactos e recomendações

A pesquisa destaca a necessidade de abordar a sobrecarga materna e melhorar a conscientização sobre a composição dos ultraprocessados para reduzir seu consumo. Em comunidades como Guamá, Ibura e Pavuna, intervenções que promovam rotulagem mais eficaz e educação nutricional podem ajudar. O Unicef sugere que políticas públicas foquem em apoiar famílias vulneráveis, garantindo acesso a alimentos saudáveis e aliviando pressões cotidianas.

Essas pessoas não tinham dinheiro para comprar os alimentos que elas queriam quando eram crianças, então agora elas se sentem felizes por poder comprar o que a criança quer comer. E aí esses alimentos ultraprocessados, ainda mais aqueles com desenhos e personagens, são associados a uma infância feliz.

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